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Como identificar problemas de visão na infância

Para garantir sempre a melhor visão à criança e um bom rendimento escolar, é muito importante levá-la ao oftalmologista para realizar todos os exames necessários

Como identificar problemas de visão na infância


Para garantir sempre a melhor visão à criança e um bom rendimento escolar, é muito importante levá-la ao oftalmologista para realizar todos os exames necessários

No Brasil, aproximadamente 33 mil crianças são cegas por doenças oculares e, pelo menos, outras 100 mil têm alguma deficiência visual, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta que cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam problemas de vista, como miopia e astigmatismo. A boa notícia é que cerca de 80% das causas de cegueira infantil podem ser prevenidas ou tratadas precocemente, com visitas frequentes ao oftalmologista ou oftalmopediatra, desde o nascimento aos dois primeiros anos de vida.

Isso por que o sistema visual leva cerca de dez anos amadurecer, o que favorece a correção de possíveis defeitos durante a infância. Até o primeiro ano de vida, ele ainda é imaturo do ponto de vista neurológico e, até o segundo, apresenta grande plasticidade sensorial. Além disso, é importante que ele receba estímulos visuais adequados.

Detecção precoce
Muitas doenças que afetam a visão podem ser evitadas desde a gestação, com a realização do pré-natal, e após o nascimento da criança, com o teste de reflexo vermelho (TRV, ou teste do olhinho) que, se realizado até os dois anos de vida, também pode identificar alterações nos olhos, provocadas por doenças como catarata congênita, glaucoma e descolamentos de retina tardios.

Cuidados com os bebês prematuros
Outra doença que pode ser evitada com a detecção precoce é a retinopatia da prematuridade, com a realização de exames de mapeamento de retina. Ela pode acometer bebês nascidos até a 32ª semana de gestação, com 1,5 quilo ou menos, e que precisam de suporte de oxigênio e internações prolongadas devido a complicações, como uma infecção generalizada (sepse). Se identificada entre a 4ª e a 6ª semana de vida, a enfermidade pode ser tratada com laser ou cirurgia.

Olho preguiçoso
A ambliopia, ou “olho preguiçoso”, é a diminuição da capacidade visual mais comum em crianças. O problema pode surgir desde o 1º ano, num dos olhos ou em ambos, sem lesão aparente. São possíveis causas a falta de estímulos adequados ou alterações como catarata congênita, desalinhamento dos olhos (estrabismo), diferença de grau entre os olhos ou altos graus de óculos não corrigidos. Os sintomas, geralmente, são imperceptíveis, mas, se detectados antes dos 7 ou 8 anos de idade, podem ser revertidos. Por isso, a realização do exame oftalmológico completo nessa fase é crucial. O tratamento varia de acordo com cada caso, com o uso de oclusão (tapa-olho), óculos ou colírio.

Estrabismo
O estrabismo é um desalinhamento dos olhos que, geralmente, tem início na infância. Os desvios podem ser convergentes (para dentro), divergentes (para fora) e verticais (um olho fica mais alto ou mais baixo do que o outro). Os tratamentos variam com cada um dos tipos e podem ser feitos apenas com o uso de óculos, com óculos e cirurgia ou somente com cirurgia e, em alguns casos, com toxina botulínica.

Catarata congênita
Também conhecida como catarata pediátrica, é uma das principais causas de cegueira na infância e de outros problemas visuais, como a ambliopia e estrabismo. A maioria dos casos acontece sem causa aparente ou é hereditária e, raramente, devido a distúrbios metabólicos (hipoglicemia ou hipocalcemia) ou infecções durante a gravidez, como por exemplo, por toxoplasmose ou rubéola. A doença pode ser identificada até os dois anos de vida da criança, com o teste do olhinho, e corrigida com cirurgia.

Glaucoma congênito
O glaucoma infantil tem como característica a pressão intraocular elevada e, se não tratada a tempo, pode lesionar o nervo óptico e prejudicar a capacidade de enxergar da criança. Também está entre as principais causas de cegueira em crianças no Brasil e pode ser evitada com a realização de exames pré-natais e do teste do reflexo vermelho. O tratamento é feito com cirurgia.

Idade escolar
Conhecer os problemas de visão mais comuns nessa fase é importante para garantir a melhor visão e um bom rendimento escolar à criança:

Miopia – Caracterizada pela má visão à distancia, a miopia pode ser hereditária e é causada por uma falha de refração, fenômeno responsável pela formação da imagem visual na retina, que faz com que objetos distantes sejam vistos desfocados e os que estão próximos, normais. Os pais devem desconfiar quando as crianças aproximam muito os objetos para ver, querem ficar muito próximas na TV ou não conseguem enxergar bem a lousa na escola. A capacidade visual parece melhorar fechando um pouco os olhos, mas a miopia não corrigida devidamente pode provocar dores de cabeça, lacrimejamento ou tensão ocular.

O tratamento, na maioria dos casos, é feito com o uso de óculos com lentes que focam os raios de luz na retina e melhoram a visão. A cirurgia refrativa não é indicada em crianças, pois é necessário que a visão já esteja desenvolvida e que a correção da miopia esteja estabilizada.

Astigmatismo – Se a criança reclama de dor de cabeça ou cansaço nos olhos, ela pode ter astigmatismo, um tipo de erro refrativo em que o olho não consegue focar a luz na retina de forma uniforme e que faz com que a visão fique embaçada ou desfocada, tanto de longe, quanto de perto. Ele ocorre devido à curvatura irregular da córnea ou irregularidades no cristalino, que podem estar relacionadas a fatores genéticos. O tratamento é feito com a prescrição de óculos, quando há astigmatismo significativo (para graus baixos, nem sempre precisam ser prescritos), que, se não corrigido, pode levar à baixa visão.

Hipermetropia – Este problema faz com que a criança tenha a visão embaçada, tanto de longe, como de perto. Se o grau de hipermetropia for elevado, precisará ser corrigido com óculos. Em alguns casos, a alta hipermetropia pode levar o paciente a fazer um esforço muito grande para focar e causar o desvio dos olhos para dentro (estrabismo convergente).

 

Fonte: Portal da Oftalmologia


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